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Cursos

Dando continuidade à proposta dos cursos "Ética e filosofia política no tempo do agora", ministrados em 2020 como parte do projeto "Solidariedade em cursos", o Laboratório Filosofias do Tempo do Agora está oferecendo, no segundo semestre de 2022, o curso "Walter Benjamin - 130 anos".

O objetivo do curso, de caráter introdutório, é de homenagear a herança filosófica de Walter Benjamin, reiterando o apoio a professores/as e pesquisadores/as de universidades públicas sem inserção no mercado de trabalho e enfatizando a intervenção no debate público, modo de mostrar e de devolver à sociedade as pesquisas realizadas na Filosofia e no laboratório.

Ao todo, serão 9 aulas divididas em 3 módulos temáticos, com início em 04 de agosto e término em 29 de setembro. Os encontros acontecerão nas quintas-feiras, de 18h às 21h00.

Para cada inscrição paga, será disponibilizada uma bolsa integral destinada a estudantes de graduação em universidades públicas. 

 

Cada vaga dá acesso às salas de aula virtuais, às gravações no YouTube e a uma área restrita do site do laboratório com informações e outros recursos para acompanhamento do curso na íntegra. Além disso, todos os inscritos terão acesso ao material dos cursos ministrados em 2020 pelo laboratório.

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Inscrições

Para fazer a inscrição:

 

1 - Você deve enviar um e-mail para tempodoagora@gmail.com, com o assunto Curso Walter Benjamin,  manifestando interesse em participar e declarando a modalidade em que deseja fazer a inscrição (curso completo ou módulo temático).

2 - Aguardar um e-mail com os dados de pagamento (via PIX) e confirmação de inscrição, em que você terá todas as informações sobre como ter acesso à sala de aula virtual e aos materiais complementares do curso.

(*) Para pleitear uma bolsa:

 

Envie um e-mail para tempodoagora@gmail.com, com o assunto Bolsa Curso Walter Benjamin. Envie, em anexo, seus dados e comprovante de matrícula emitido pela instituição a que está vinculado/a.

Curso completo

Se você quer ter acesso ao curso completo, faça sua inscrição no valor de R$ 150,00. O curso começa dia 28 de julho, mas você pode se inscrever a qualquer momento e, a partir daí, terá acesso:

 

* à sala de aula virtual e aos vídeos gravados no YouTube para rever depois;

* ao site interno com todos os materiais do curso;

* certificado de conclusão de 30h/aula.

* às aulas das duas edições do curso "Ética e filosofia política no tempo do agora".

Módulos temáticos

Para ter acesso a um módulo temático, basta escolher o tema que quer assistir, pagando R$ 70,00 e ganhando acesso:

 

* às transmissões ao vivo pelo canal do Youtube;

* às gravações no canal do Youtube;

* às aulas das duas edições do curso "Ética e filosofia política no tempo do agora".

Sobre o curso

No início da década de 90 – do século XIX – nascia, em Berlim, Walter Benjamin. Figura singular na história do pensamento contemporâneo, Benjamin fez parte de uma geração que, em suas palavras, “ainda fora à escola num bonde puxado por cavalos”; e de repente viu a si mesma, no início do século XX, “sem teto, numa paisagem diferente em tudo”. Compondo uma filosofia da experiência limiar moderna, os escritos de Benjamin já resistiam, durante sua vida, a qualquer possibilidade de sistematização: daí a dificuldade em classificá-lo como filósofo, filólogo, sociólogo, crítico literário, crítico da cultura, historiador. Essa resistência, inerente à atenção e à demora de um pensamento enraizado em sua própria experiência histórica, teria consequências também sobre os vínculos institucionais e acadêmicos do autor, que vagava entre disciplinas e múltiplas interlocuções de maneira aberta e dinâmica. Em vez de ruas seguras e pavimentadas, a vida e os textos de Benjamin foram marcados pelo trânsito em vias vertiginosas e lugares extremos. Pode-se dizer que Benjamin abriu caminhos, deixando à crítica posterior possíveis – e não terminadas – cartografias, heranças e desafios. Muitos são os possíveis desvios da filosofia de Benjamin sobre temas como arte, teologia, linguagem, cultura, política e história, assim como são múltiplas as conversas entre autores e autoras contemporâneos e herdeiros de sua filosofia crítica – que assumiram a tarefa de escavar e lançar novos olhares às imagens urbanas, profanas e miúdas produzidas por seu pensamento.

Objetivos específicos

1) Apresentar algumas “ruas” que atravessam a filosofia de Walter Benjamin, ou seja, uma introdução à filosofia benjaminiana a partir de alguns temas – língua e história, teologia e arte – trabalhados a partir dos principais textos selecionados para o curso.

2) Sugerir leituras para além da bibliografia principal do curso.

3) Desenvolver o debate: 3.1) a partir de algumas “ruas principais” – textos e fragmentos considerados clássicos de Walter Benjamin; 3.2) visitando algumas “vielas” abertas por comentadores selecionados – suas contribuições interpretativas.

 

Justificativa

1) O interesse crescente pela obra de Walter Benjamin.

2) Apesar dos textos de Walter Benjamin ocuparem as prateleiras de diversos departamentos (Letras, Comunicação, Sociologia e Artes, por exemplo), ainda há pouca presença do referencial benjaminiano no currículo dos cursos de Filosofia em geral.

3) O curso parte das pesquisas desenvolvidas pelo Núcleo de estudos em Walter Benjamin, um grupo ligado ao Laboratório Filosofias do Tempo do Agora (Lafita) que, por sua vez, está vinculado ao PPGF/UFRJ. Em vista disso, há uma  necessidade manifesta de compartilhar nossos estudos e produções sobre a obra de Walter Benjamin.

MÓDULO 1: LÍNGUA e HISTÓRIA // "A tarefa do tradutor" (1921), "Teses sobre o conceito de história" (1940)

Beatriz Zampieri (UFRJ) e Guilherme Sam-Sin (UFRJ)

04 de agosto, 11 de agosto e 18 de agosto. 18h às 21h.

Pois é a partir da história […] que pode ser determinado, em última instância, o domínio da vida. Daí deriva, para o filósofo, a tarefa: compreender toda a vida natural a partir da vida mais abrangente que é a história.

-- Walter Benjamin

Não é arriscado afirmar que as reflexões sobre Sprache (“língua” e “linguagem”) ocupam um lugar de destaque na filosofia de Walter Benjamin. Este lugar é atravessado por duas “ruas principais”: os textos Sobre a linguagem em geral e sobre a linguagem do homem e A tarefa do tradutor. Apesar do referencial metafísico pouco convencional utilizado por Benjamin nesses escritos – categorias “desviadas” da tradição mística judaica, dos primeiros românticos e do pensamento de Georg Hamman ­– não se pode perder de vista que há o desenvolvimento de uma conexão indissociável entre filosofia da linguagem, teoria do conhecimento e filosofia da história em Walter Benjamin. Para Gagnebin (2011, p. 10) esses textos “tão pouco ‘materialistas’”, já sugerem “que razão e história devem ser pensadas juntas, porque sua apreensão se faz através da linguagem e porque somente esta permite a intervenção da história (humana) e de histórias (ficcionais ou não)”. Nesse sentido, as reflexões Benjamin não possuem origem numa concepção de linguagem formal a-histórica. Trata-se, de acordo com Gagnebin (1999, p. 85), “de ressaltar aquilo que segundo ele faz a especificidade da filosofia: sua ‘codificação histórica’, isto é, o pertencer da filosofia à tradição histórica e linguística (de linguagem)”. Nesta seção do curso pretendemos abordar os dois principais escritos sobre a linguagem, mas será dada ênfase ao texto A tarefa do tradutor e sua ressonância nas Teses sobre o conceito de história para a apresentação das conexões e desdobramentos entre língua e história.

MÓDULO 2: TEOLOGIA // "Fragmento teológico-político" (1921)

Guilherme Sam-Sin (UFRJ)

25 de agosto, 01 de setembro e 08 de setembro. 18h às 21h.

O fato de Walter Benjamin, “esse homem irremediavelmente secularizado” (JENNINGS, 2021 p. 108), ter nascido em uma abastada família de judeus alemães assimilados, sem vestígio algum de prática da observância religiosa, não significa dizer que a teologia não ocupa um papel preponderante em seus escritos – diferentemente da religião, cujo pensamento benjaminiano “mantém uma distância crítica” (GAGNEBIN, 1999, p.196).  Como bem observam Colby Dickinson e Stéphane Symons (2016, p. 1), a relação de Benjamin com as questões teológicas costuma ter “muito menos atenção do que deveria”, talvez pela própria maneira – geralmente críptica – na qual Benjamin conectava sua filosofia com os temas e categorias teológicas. São inúmeras as querelas que este pensamento provocou entre as suas heterodoxas amizades ao longo de sua vida, e continua causando perplexidade e dissonâncias interpretativas das mais diversas entre filósofos e comentadores de sua obra. Neste momento do curso, pretendemos discutir os usos – instáveis, idiossincráticos e complexos em si – que Benjamin faz da teologia e o que isto implica em sua célebre imagem do mata-borrão embebido de tinta (BENJAMIN, 2020, p. 181). Destarte, o nosso esforço não será classificar Benjamin como um pensador teológico no sentido tradicional da palavra, mas apresentar como a teologia está presente em várias camadas da experiência filosófica benjaminiana; de sua hermenêutica; com as reflexões sobre a política. Para tanto, analisaremos e discutiremos a ressonância dessa temática, em especial, no pequeno escrito benjaminiano intitulado Fragmento Teológico-Político.

MÓDULO 3: ARTE // "A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica" (1936)

 

Beatriz Zampieri (UFRJ)

15 de setembro, 22 de setembro e 29 de setembro. 18h às 21h.

O texto mais reeditado e republicado por Walter Benjamin em vida, que contou com pelo menos três versões, terminava em tom de alerta: contra a aparente tendência à estetização da política promovida pelo fascismo, o autor apontava à possível politização da arte. A obra de arte na era da reprodutibilidade técnica tem, de fato, uma história própria – que pode ser atribuída aos saltos vertiginosos e mudanças abruptas da arte no século XX, com destaque para o nascimento e desenvolvimento do cinema, já anunciado por Benjamin como espaço privilegiado de relação entre produção e técnica. Mas o texto também ocupa um lugar particular em seu próprio percurso teórico, seja pela tensão – sempre presente – entre criação e recepção das obras, entre suas manifestações tradicionais e vanguardistas, ou pelo movimento de inerente transmissão de seus produtos às massas, tema mais amplamente tratado nos textos benjaminianos da década de 1930. Ao estilo do método de desvio ou de montagem da teoria de Benjamin, procuraremos situar este texto ao lado de outros momentos importantes dos assim chamados “escritos de maturidade” do pensamento benjaminiano, com ênfase nas relações particulares entre as observações do ensaio de 1936 e as “imagens dialéticas" do projeto das Passagens, que permaneceu em aberto como uma pequena e concentrada história da modernidade.